DIGNOW

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segunda-feira, 23 de junho de 2014

O não-lugar




          Belo final de tarde, eu, na estrada.
          Paro para vislumbrar quem vem e quem vai, desce ou sobe, parte ou chega.
          Dentre as opções anteriores, a maioria que está cruzando a estrada não vai ou vem, apenas ficam.
          São pessoas que são ou tornaram-se do lugar.
          Pertence a elas o chão e o desgaste do mesmo que elas lhe causaram entre suas eternas idas e vindas.
           Lugar, pertencimento, enfim, pertencer a um lugar parece algo simples, mas não é.
           O que nos prende a um lugar é tão sensível e tênue que é quase inexistente.
           Na verdade o lugar não prende ninguém, mas, as pessoas sim e as lembranças que elas causam.
           Do mesmo modo o que nos faz sair e repulsar algum lugar são elas, as mesmas pessoas e lembranças.
           São mágoas e más lembranças que nos fazem agir e tomar atitudes de mudança, muito mais do que a perspectiva de vitórias e prazeres.

          O que pode ocorrer também é que a pessoa pode estar causando mal para si mesma. Nesse caso de nada adianta trocar de endereço. É mais prático e saudável trocar de mentalidade.




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