DIGNOW

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segunda-feira, 3 de abril de 2017

Lembrança furta-cor










Conheço diversas cores
Brilhantes e opacas.
Cores amarelas com calor de vermelhas.
Cinzas com gosto de laranjas,
Brancas com cheiro de rosas.
Nesse dia diorama
Sorvi do cálice,
Calado,
O gosto imagético pigmentado.
Desde então
Desconheço
O roxo escuro do olhar.
O breu do esquecimento
Tirou-me a íris da memória.



segunda-feira, 6 de março de 2017

Um copo d'água





O que vem a ser um poeta?
Será aquele que cala a fala,
Que a pena diz
Apenas
Ser normal?
Muitos pratos quebrados.
Poemas gravados,
Todos correndo riscos.
Riscos poéticos.
Frases inteiras riscando
O mar da língua,
Rios polissêmicos
Sob chuva de signos vazios.
Gota a gota
O poeta escreve com caneta d'água.






segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Moinho das bocas






Em um aqueduto equidistante

Percorri inúmeras eras.

Passional, resume o oco,

Buraco negro que engole

O mundo.

Triturando,

Moendo,

Moenda,

moinho

Formado por dentes.

Rodas espiraladas de caninos

Dentro de rodas menores

Formadas por caninos mais finos.

Rodamoinho de dentes

Triturando a carne,

Dilacerando

Pedaço por pedaço

O pretérito insólito.

Aquele que é preferível olvidar.





terça-feira, 24 de janeiro de 2017

LIVRE A GIRAR




Esqueço chaves,

Relógio,

Tempo ,

Ofensas,

Tristezas

E carteiras.

Certo dia,

Eu, de tão distraído

Perdi um amor.

Um tempo esquecido,

Interno de uma gaveta qualquer.

Depósito lotado,

Guarda-chuvas solitários.

Um desses atrevidos

Desvencilhou-se dessa opressão.

Guiado pelo vento

Girava em diagonal

Sob uma azulada manhã.

Céu leve de outono.



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